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06 abril, 2013



A humanidade progride, luta pela perfeição. Tudo que agora está fora de nosso alcance um dia será compreensível e trivial; só que é preciso trabalhar, ajudar com toda nossa força aos que procuram soluções. Aqui na Rússia, por enquanto, são muitos os que falam, poucos os que trabalham. Os intelectuais que conheço não procuram nada, não fazem nada; ficam doentes só com a ideia de qualquer esforço. Intitulam-se humanistas, mas tratam os criados como inferiores e os camponeses como animais. Não sabem coisa alguma, não querem aprender nada, não leem nada a sério e nunca fazem nada. O que falam sobre ciência é ridículo e seu conhecimento de arte pouco mais que zero. São todos muitos sérios, usam caras profundas, discutem assuntos impenetráveis, fazem especulações filosóficas incontestes, e não veem que em volta, todos – 95 por cento do povo – vivem como selvagens, se insultando e estraçalhando à menor provocação. Comem lixo podre, dormem na imundície e na umidade, trinta ou quarenta no mesmo quarto cheio de percevejos, fezes, fedor e consequente degradação moral. É evidente que todos nossos belos discursos só têm uma função – enganar nós mesmos. Me digam onde é que estão essas creches de que se fala tanto? E as bibliotecas? E a habitação popular? Essas coisas só existem em novelas – na vida real eu nunca vi. Eu só vejo a desordem, a sujeira, a vulgaridade e a preguiça asiática. Eu temo e desprezo as caras austeras e os que falam com solenidade. Todos faríamos muitos mais calando a boca.”

TCHÉKHOV, Anton. O Jardim das Cerejeiras / Tio Vânia. Porto Alegre: L&PM, 2009. p. 45-46
 

20 março, 2013

Busco uma luz no fim
                    do túnel...
Minha energia foi  C O R T A D A.

14 março, 2013

VAZIO


A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo -
Restam somente as casas,
Os bondes, os automóveis, as pessoas,
Os fios telegráficos estendidos,
No céu os anúncios luminosos.

A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo -
Restam somente os homens,
Pequeninos, apressados, egoístas e inúteis.
Resta a vida que é preciso viver.
Resta a volúpia que é preciso matar.
Resta a necessidade de poesia, que é preciso contentar. 


                   (Augusto Frederico Schmidt)

14 fevereiro, 2013

Ao Desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais m' espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.

Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado.


               (Luíz Vaz de Camões)

17 janeiro, 2013